Lumife @ 23:59

Qui, 09/06/05

planicie.jpg





O bando debandou


subindo do arvoredo


do vácuo que ficou


no fim do seu degredo


as asas abrem chagas


no acinzar do entardecer


e amansam a agonia


do dia a escurecer





ensombram a ribeira


e o verde da seara


e passam pela eira


em que o sol se pousara


nas gotas do orvalho


luarento e vacilante


refrescam o cansaço


e dormem um instante




Pássaros do sul


bando de asas soltas


trazem melodias


p'ra cantar às moças


em noites de romaria


em noites de romaria






no adejo da alvorada


oscila a minha mágoa


o céu à desgarrada


irrompe azul na água


e a passarada acorda


no sonhar de um camponês


e entrega-se no sul


do frio que à noite fez





é tempo da partida


e a cor no horizonte


adensa a despedida


e o borbotar da fonte


as asas abrem chagas


na poeira o sol acalma


num agitar inquieto


que me refresca a alma





pássaros do sul


bando de asas soltas


trazem melodias


pra cantar às moças


em noites de romaria


em noites de romaria




(Mafalda Veiga)




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