Lumife @ 00:38

Sab, 23/10/04

Avaria poderá ser solucionada até final do ano


Comportas avariadas comprometem caudal ecológico na Ribeira de Alvito



Lopes Guerreiro denuncia problemas no caudal ecológico da ribeira de Alvito/Odivelas, devido à inexistência de descargas de água da albufeira de Alvito para a de Odivelas.



O Instituto da Água, INAG, não procedeu, este Verão, à descarga de água da albufeira de Alvito para a albufeira de Odivelas, “conforme determina a legislação aplicável”. A denúncia é feita pelo vereador da CDU na Câmara Municipal de Alvito, Lopes Guerreiro, que diz ainda que desta forma a ribeira de Alvito/Odivelas, o troço entre as duas albufeiras, “ficou sem o caudal ecológico necessário à manutenção da vida, tendo secado, incluindo os seus pegos”, e que quando chover “a água da chuva vai arrastar tudo o que se acumulou no leito da ribeira e sujar a água da albufeira de Odivelas”.


Em declarações ao “Diário do Alentejo”, o chefe de divisão de estudos e projectos do INAG, António Miranda, explica que tal se deveu ao facto “dos equipamentos de descarga de fundo estarem inoperacionais” e que até ao final do ano, princípios do próximo, caso o presidente do INAG aprove “o ajuste directo à empresa que forneceu os equipamentos”, a avaria será solucionada. “Se não puder ser por ajuste directo, o processo é mais complicado”, diz o responsável, adiantando que a inexistência dessa transferência de água actualmente não levanta prejuízos dado “que a rega já acabou” e já se iniciou o “ano hidrológico”.


Quanto a consequências ambientais, nomeadamente na ribeira de Alvito/Odivelas, Raul Caixinhas, chefe de divisão de estudos e avaliação do INAG, esclarece que as descargas que têm sido feitas “normalmente são feitas não tendo em conta as necessidades dos sistemas ecológicos e do caudal ecológico [caudal mínimo necessário a manter no curso de água a jusante de um aproveitamento hidráulico que permita assegurar a conservação e protecção dos ecossistemas] mas sobretudo tendo em conta fins humanos”, como a rega, pelo que, adianta, “uma descarga não consegue resolver o problema do caudal ecológico”. “Pode dizer-se é que há um défice de caudal e isso tem a ver com o facto de serem barragens antigas, tem a ver com obras que foram feitas ainda quando não se pensava nem se dava grande importância às questões ecológicas e dava-se mais importância às necessidades e aos aspectos humanos. Nesse sentido podemos dizer que as descargas que têm vindo a ser feitas todos os anos não vinham resolver grande coisa, muito embora pudessem minorar alguns aspectos, digamos as necessidades de água que os vários ecossistemas precisam”.


Com a integração das barragens de Alvito e Odivelas “no sistema hidráulico do subsistema de Alqueva”, a questão do caudal ecológico passará, adianta o responsável, a ser considerada: “Parte de água tem que ser reservada para garantir os regimes ecológicos, e com isso as necessidades da biótica, mais do que as humanas. Realmente há um défice, sempre houve, e estamos a tentar, quer o INAG, quer a comissão de acompanhamento da infra-estrutura de Alqueva do ponto de vista ambiental, que isso seja superado”, diz o responsável.



Questão do caudal ecológico


“deve ser sempre salvaguardada”


José Paulo Martins, da Quercus, apesar de desconhecer a situação actual da ribeira de Alvito/Odivelas, entende que a questão do caudal ecológico “deve ser sempre salvaguardada em qualquer linha de água”. “Não fico muito admirado pelo facto do caudal ecológico não ser considerado, porque em muitas destas situações, esse aspecto, se não houver alguém a pressionar, não é muito considerado”, adianta o ambientalista, apontando, em termos genéricos, algumas consequências do défice de caudal ecológico: “Cada linha de água tem determinadas condições e se durante uma determinada época do ano for próprio dessa linha de água manter pegos, onde os peixes por exemplo fazem a desova, se não houver essa água corrente ou se os próprios pegos secarem vai ter influência, ou são espécies diferentes que se adaptam a essa zona ou desaparecem mesmo algumas espécies que são próprias. Depois os rios, em termos de caudal natural, sofrem enchentes e as enchentes podem ser importantes para o arrastamento de detritos, tudo isso faz parte do ciclo natural. Se a própria natureza não consegue fazer isso porque as barragens o impedem, tem que haver descargas que façam limpezas, que mantenham alguma coisa do que era natural, os tais pegos para que algumas espécies não desapareçam”. José Paulo Martins realça ainda que “há toda uma dinâmica das próprias espécies vegetais que se fixam nas margens que dependem também de onde é que a água chega ou não. A formação por vezes de pequenas lagunas laterais também é importante para as aves se alimentarem”.



.


(in Diário do Alentejo)



Anónimo @ 09:53

Seg, 25/10/04

 

O José Paulo Martins disse tudo... “Não fico muito admirado pelo facto do caudal ecológico não ser considerado, porque em muitas destas situações, esse aspecto, se não houver alguém a pressionar, não é muito considerado”Carlos Tavares
(http://o-microbio.blogspot.com)
(mailto:carlos.roquegest@mail.telepac.pt)

Outubro 2004
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
12
14

17
19
20
21
22

24
26
29
30

31


Pesquisar
 
eXTReMe Tracker
blogs SAPO