Lumife @ 15:44

Dom, 08/08/04

@01.jpg



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Dezassete anos de um adeus precoce. Do Homem - cantor e poeta - que


mandou vir mais cinco; que mandou trazer outro amigo; que tinha um menino


de oiro, de oiro fino; que para além de sonhar com a liberdade gritou ao povo


a vontade. Dezassete anos de partida.


Do Homem que cantava baladas; que pegava na guitarra e entoava as palavras


que encantaram gerações e fizeram tremer os mentores de um regime apodrecido


de indecência e de injustiça e de dignidade subtraída. Um “Rouxinol do Choupal”,


que deixou semeadas, sementes de sempre eterno.. Dezassete anos de olhar


ao longe


Avistando no horizonte do céu cinzento sob o astro mudo, os acordes repetidos em

memórias plenas de história e em história repleta de memória. Franjas rendadas de

inquieta perseverança que agitou em sorriso aberto.



Dezassete anos de verdade inquieta. Percorrida no país que ajudou a renascer;


passeando a esperança acontecida daqueles que, desesperançados, morreram de

desalento perdido numa terra só de fé. Numa terra de silêncio, lavrada e cultivada


do medo que ajudou a vencer.



Dezassete anos de saudade. Por Aquele que se escondeu na simplicidade de ser


gente; na hombridade dos que não se deixaram tombar vencidos nem jazer em


fossos de noite abafada. Mesmo apesar de eles terem comido tudo e não terem


deixado nada. Mesmo tendo vivido tão só, treze anos rodeado de cravos vermelhos.



Dezassete anos de febre a arder. No confronto de ideias não cimentadas e cremadas


em branqueamentos de inverdades que os movimentos cíclicos da história nos


querem impor. Em que os homens que não são de boa vontade nos querem fazer


crer. Mas haverá sempre a memória dos que trinaram nas guitarras, os sons que


nunca morrerão eternamente.



Dezassete anos de voz tremida. Na emoção e na saudade dos que subindo pelas


veredas das nuvens avermelhadas de pôr-do-sol, se tiveram que esgueirar por


entre os raios de fogo mergulhados em águas azuis do mar salgado que um dia se


fez português. Daqueles que - como tu, - por obras valerosas, se vão da lei da morte

libertando!



Dezassete anos de palavras ao vento. Daquelas que cantaste em tempo de escuridão,


por entre os vampiros da noite calada; por entre os “mandadores” de um povo

adormecido à sombra do faz de conta que nunca foi, parecendo nunca ter sido. De um

povo adormecido sobre as glórias do passado...



Dezassete anos de um adeus precoce. Para a terra do nunca mais, deixando na


memória de um povo e na multiplicação das gerações, um legado de rimas e de


palavras, entoadas entre os salgueiros dos riachos que nos enchem a vida de trinados

sinuosos, erguidos ao céu por cantares de rouxinóis e de toutinegras reais.



Dezassete anos de partida. Mas tu não partiste, ficaste. Não importa lembrar os


Dezassete anos de ausência; importa reter os Setenta e Cinco de existência. Aqueles


que partiram, nem sempre são os que não ficaram.



ajsbranco@esoterica.pt



06-08-2004 14:31:39



(De todos os textos que li sobre o Zeca Afonso foi este que melhor me preencheu


e assim com a devida vénia ao Autor António J. Branco e ao Diário Digital passo


a editá-lo no blog Beja.)



Anónimo @ 22:19

Dom, 08/08/04

 

adorei esta homenagem ao zeca afonso linda mesmo.parabéns.
Cantei mtas musicas dele há uns anos atras....saudadesdiversus
</a>
(mailto:one_anne@hotmail.com)

Anónimo @ 15:49

Dom, 08/08/04

 

então e informações sobre a cabeça gorda?(foi o meu marido que me pediu para perguntar,é a aldeia dele!)pekala
</a>
(mailto:pekala@sapo.pt)

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