Lumife @ 00:08

Sex, 06/08/04

504.jpg



.


aqueles que têm nome e nos telefonam


um dia emagrecem - partem


deixam-nos dobrados ao abandono


no interior duma dor inútil muda


e voraz


.


arquivamos o amor no abismo do tempo


e para lá da pele negra do desgosto


pressentimos vivo


o passageiro ardente das areias - o viajante


que irradia um cheiro a violetas nocturnas


.


acendemos então uma labareda nos dedos


acordamos trémulos confusos - a mão queimada


junto ao coração


.


e mais nada se move na centrifugação


dos segundos - tudo nos falta


.


nem a vida nem o que dela resta nos consola


a ausência fulgura na aurora das manhãs


e com o rosto ainda sujo de sono ouvimos


o rumor do corpo a encher-se de mágoa


.


assim guardamos as nuvens breves os gestos


os invernos o repouso a sonolência


o vento


arrastando para longe as imagens difusas


daqueles que amámos e não voltaram


a telefonar


.


Al Berto. "Horto de Incêndio". Assírio & Alvim.





Anónimo @ 09:47

Sex, 06/08/04

 

Só resta uma solução... ajudar os outros que ainda podem continuar a telefonar por mais uma temporada!!!Carlos Tavares
(http://omicrobio.blogs.sapo.pt)
(mailto:carlos.roquegest@mail.telepac.pt)

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